Por que o podcast brasileiro é inferior ao americano

26 outubro 2013 Por Thiago Miro
Por que o podcast brasileiro é inferior ao americano

Por que costumamos comparar tanto o podcast brasileiro com o americano?

Se levarmos em conta que o podcast mais popular do Brasil, em seu episódio mais ouvido talvez tenha atingido 1 milhão de pessoas (arredondando pra cima), isso representa aproximadamente 0.5% da nossa população. Enquanto isso, se estima que 29% (cerca de 90 milhões de pessoas) nos EUA já conheçam a mídia. Ou seja, se levarmos em conta apenas um único parâmetro, talvez o mais relevante deles (audiência), já tomamos uma “lavada” neste quesito.

Após ver alguns números de uma pesquisa feita em 2012 nos Estados Unidos e divulgados no iPod Day (veja imagem abaixo) deixaram claro que ainda estamos anos-luz atrás deles no que tange a mídia podcast.

Dados e gráficos por Edison Research and Arbitron e PrettyWork Creative:

  • 1 em cada 6 americanos ouviu um podcast nos últimos 30 dias
  • 1 em cada 5 usuários de smartphone consomem podcast regularmente
  • 29% dos americanos sabem o que é um podcast
  • 23% dos ouvintes ouvem podcast diariamente

Clique para abrir os números da pesquisa


Dados estatísticos do podcast americano mostrando o quão superior é em relação ao podcast brasileiro

Mas o que isso significa?

Significa que para que o podcast no Brasil se torne uma mídia de fato reconhecida é preciso divulgação, diversificação e profissionalismo na mídia como um todo muito maior do que o que é feito hoje.

Divulgação

Parar de olhar o próprio umbigo e pensar que se a mídia cresce, seu podcast também cresce. Tente trazer gente nova para mídia através de seu podcast. Promoções do tipo “Apresente a cinco amigos e ganhe um ingresso de cinema” são incríveis para este propósito. A meu ver, cada podcast tem potencial para realizar algum tipo de movimento entre seus ouvintes para atrair pessoas para a mídia.

Ressalto os trabalhos incríveis de divulgação da mídia em si como os portais/agregadores Youtuner e Podflix, que tornam simples a tarefa de descobrir e aprender o que são podcasts. E claro, não se pode negar a imensa importância do Jovem Nerd, provável responsável pela maioria esmagadora de ouvintes (eu incluso), que mesmo não sendo um divulgador, atrai muita gente que por ventura buscam outros podcasts (foi assim comigo).

Diversificação

É preciso acabar com dois paradigmas do podcast brasileiro, são eles: Podcast só é bom se for de Humor ou Cultura Pop/Nerd.

Apenas quando entenderem que podcast bom não precisa ser engraçado ou de Cultura Pop/Nerd (A nerdificação de tudo me irrita profundamente) e que precisa sim de cada vez mais diversidade é que a mídia crescerá de verdade e chamará a atenção de investidores (para aqueles que desejam monetizar seus podcasts) para toda a mídia e não apenas para uma dúzia dos podcasts mais bem sucedidos.

Por exemplo, nunca vi um podcast sobre o CMS WordPress, mesmo sendo uma ferramenta imensamente ampla e com um potencial de audiência imenso. Profissionais para falar não faltam, mas deve ser porque não rende muitas piadas ou não entra em cartaz no cinema.

Quanto mais diversificado forem as temáticas dos podcasts, maior serão as chances de atingir mais pessoas em todos os nichos trazendo-as para a mídia.

Profissionalismo

Não entenda “profissionalismo” por “profissionais”, o que mais me atrai na mídia é o amadorismo de quem a faz, o que não significa que não se deva ser feito com profissionalismo.

Podcasters como Jurandir Filho, Alexandre Ottoni, Tato Tarcan e Maury só conseguiram sucesso com seu conteúdo online (vivem disso) por serem, acima de tudo, profissionais. Você gostando ou não dos podcasts, concordando ou não com as opiniões, não pode negar a importância e relevância do que conquistaram. Veja os exemplos e tente tirar algo de bom pra você.

Se reclama muito de uma “panelinha” de podcast para onde todos os anunciantes vão. Mas você queria o que? É óbvio que os anúncios cairão nas mãos desses podcasts, pois já mostraram que apesar de tudo, mesmo se divertindo, não fazem a coisa por brincadeira. Eu mesmo, se fosse anunciante, jamais colocaria meu produto em um podcast onde eu não tivesse certeza de que há um trabalho profissional e sério sendo feito ali.

Se o anúncio é bem-feito ou não, se e como deve ser feito é assunto pra outro dia…

Você quer que a mídia seja levada a sério? Então, leve a produção a sério.


O itens acima são uma realidade nos Estados Unidos, isso faz dele superior ao podcast brasileiro.

Quando isso terá sido solucionado no Brasil? Não tenho ideia, apenas quero jogar uma ideia no ar.

Euler ETI Euler ETI