Meu podcast favorito me pediu dinheiro, o que eu faço?

22 junho 2015 Por Nilda Alcarinque
Meu podcast favorito me pediu dinheiro, o que eu faço?

Vários podcasts, e não apenas eles, tem lançado projetos de patrocínio direto pelos ouvintes. Muitos usando a plataforma do Patreon, mas também usam PayPal, Pag Seguro, depósito em conta ou qualquer outra ferramenta que possa existir.

Como reagi a isso? Aderi imediatamente!

Acredito que se há algo que tem o potencial de mostrar o quão revolucionário e diferente a internet pode ser é o patrocínio direto de produtores de conteúdo. É uma das melhores formas de nós, consumidores/ouvintes, dizermos o que queremos, sem que o produtor de conteúdo, e por consequência os consumidores, tenha que se sujeitar às vontades de uma empresa patrocinadora.

Porque não adianta dizer que não gosto do rumo que um podcast está tomando se quem paga as contas do servidor, equipamentos, etc e tal é a empresa que o patrocina. É ela que vai ditar as regras e não o ouvinte.

É o que acontece nas mídias tradicionais, onde a dependência do patrocínio de empresas e de governos, a ponto desta dependência comprometer seu conteúdo.

Mas agora eu posso dizer: olha, seu podcast é o que quero ouvir e vou te patrocinar. Ou não é o que quero e, sinto muito, ficará sem o meu dinheiro. Sim, neste caso vou agir exatamente como uma marca de sabão em pó, uma fábrica de carros ou uma distribuidora de filmes agiria: vou financiar o que me interessa.

Escolhendo e definindo o que patrocinar:

Como entusiasta de podcasts vou sempre incentivar o financiamento direto. Mas como disse, isso não significa que eu vá aderir a qualquer tipo de pedido de patrocínio.

Primeiro porque ainda não ganhei na megasena acumulada de Ano Novo. Segundo porque não são todos os tipos de conteúdo que eu gostaria de patrocinar.

Sobre a primeira questão, fiz o que qualquer um deve fazer e, se não o fizeram, recomendo que façam: peguei meu orçamento mensal, fiz as contas do quanto poderia e acho razoável gastar com este patrocínio. E no momento isso pode chegar a U$ 40,00, desde que não ultrapasse a barreira dos R$ 4,00. Usei o dólar como referência por ser esta a moeda usada no Patreon, a plataforma mais conhecida atualmente. Este é o valor que acho razoável no MEU orçamento. Cada um deve fazer suas contas e achar o valor que cabe no bolso.

Estabelecido isso, entra o segundo ponto: quais podcasts patrocinar? E quanto de dinheiro devo destinar a cada um. Eu poderia patrocinar 40 podcasts com U$ 1,00 pra cada, e isso poderia parecer justo. Mas não escuto 40 podcasts, e nem todos os que escuto aderiram a este tipo de patrocínio.
Já que os critérios de escolha são pessoais, então não vou expor todos os meus aqui. Vou expor dois que acredito serem o mínimo a se observar:

  • Exposição clara dos motivos do patrocínio e onde será gasto o valor arrecadado. Transparência é essencial. E se no valor o podcaster incluir a possibilidade de poder viver apenas do podcast, acho isso plenamente válido. Mas deve deixar isso claro.
  • Sinceridade e compromisso com o ouvinte. Algo que só posso ter alguma ideia ouvindo os podcasts há algum tempo, interagir e, com isso, perceber se existe ou não.

Com isso já escolhi 7 projetos até o momento.

E ao fazer esta escolha de podcasts a financiar também me impus uma condição: parar de patrocinar qualquer podcast que mude de linha abruptamente sem me avisar e receber meu O.K. ou que tenha queda de qualidade no conteúdo. Pode não ser um critério importante para todos, mas para mim é.

Afinal, é o meu dinheiro que está sendo investido ali, e é bom que me agradem. Nisso vou ser como qualquer empresa que resolva patrocinar o podcast.

Agora vem outra questão:

Porquê um relato tão pessoal?

Simples: porque gostaria que mais pessoas aderissem a esta forma de patrocínio. Ou financiamento. Tanto pelas razões que expus no começo deste artigo, como também porque há muitos projetos bons que merecem financiamento. Não conheço todos e não posso financiar todos.

Não acredito que deva ser a única forma de financiamento de podcasts, mas é mais uma opção. E uma boa opção.