Os bastidores do Podstoria: interação de verdade

23 dezembro 2015 Por Kell Bonassoli
Os bastidores do Podstoria: interação de verdade

Há alguns meses, me deparei com este podcast incrível e fiquei apaixonada pela ideia. Na mesma ocasião, o meu colega Diogo Braga publicou aqui no Mundo Podcast um especial para falar sobre podcasts Storytelling citando o Podstoria dentre os produtores nacionais que resolveram abraçar o formato.

Entrevistei o Danton Freitas, com exclusividade para o Mundo Podcast. Se você não conhece o Podstoria, esta entrevista vai te deixar com vontade de conhecer e se você já conhece, aproveite para saber como eles fazem tudo funcionar. 😀

1 – Como surgiu a ideia do projeto?

A ideia surgiu quando procurei e não achei podcasts de storyteller realmente interativos. Me vi entre audiolivros ou sessões de RPG gravadas, mas todos tratavam os ouvintes como mero expectadores. Eu queria unir o melhor das duas coisas, e fazer o ouvinte se sentir com poder de comando real em uma história. Um podcast do tipo você decide, mas sem ser sobre historinhas chatas da televisão.

2 – Quanto tempo levou entre a ideia e a implantação?

Mais de um ano. Não queria apenas botar um feed em um agregador qualquer e ver o que acontece. Queríamos dar uma embalagem bonita para o produto, e isso envolveu a criação do site que comportasse cadastro de ouvintes, lógica para enquetes, como também composição de algumas trilhas sonoras, seleção de ilustrações, movimentar e chamar dubladores, catalogar efeitos sonoros gratuitos, criar redes sociais. E mesmo assim, ainda tem muita coisa pendente, como a parte gráfica do site. Tudo isso sendo feito nas horas vagas, no tempo que sobra entre trabalho, pós-graduações, viagens, etc.

Da esquerda pra direita, Em cima: Marcos Gonçalves, Luiz Mauro, Danilo Cesar, Paula Isabelle, Samuel Rodrigues. Em baixo: Marcelo Marchetti, Danton Freitas e João Henrique Belo

Da esquerda pra direita, Em cima: Marcos Gonçalves, Luiz Mauro, Danilo Cesar, Paula Isabelle, Samuel Rodrigues. Em baixo: Marcelo Marchetti, Danton Freitas e João Henrique Belo

 

3 – Quem é a equipe que produz?

A equipe sou eu, o Danton Freitas e, conforme última contagem, 14 dubladores. Sou formado em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, mas também já fiz cursos de produção musical, bem antes de mexer com podcast. Eu fiz o site, escrevo as histórias, mixo, edito, compus e gravei algumas das trilhas sonoras, além, é claro, de fazer a narração das histórias. O famoso, não tem tu, vai tu mesmo. Além de mim, amigos ajudam na criação de imagens pro site. O restante são os dubladores, todos gravando na amizade. É uma turma bem heterogênea. Tem uns 3 engenheiros, 2 historiadores, veterinária, músicos, psicólogos, advogada, designer… Atores mesmo são poucos, mas alguns já tem experiência em palco e gravações, seja com banda, peça de teatros ou participação em outros podcasts.

Da esquerda pra direita: Marcelo, Danton, Samuel e Paula

Da esquerda pra direita: Marcelo, Danton, Samuel e Paula

4 – Como é o processo de produção?

O processo segue uma certa linearidade simples, mas é longo. Cada episódio costuma demorar 1 mês para ser feito. Em uma semana eu escrevo as cenas. Cada cena gera um roteiro. Na outra semana os dubladores vem até mim e gravam conforme os roteiros que eu entrego a eles. Nas gravações, todos tem liberdade para fugir do roteiro e agregar coisas que acham interessante. Na semana seguinte é a edição, que é um dos processos mais complexos. A edição é feita cena a cena, para depois juntar todas as cenas em um único arquivo de mp3 e publicar. A semana de brinde é a semana para os ouvintes terem tempo de ouvir, votar nas enquetes e agitar o episódio. Não dá começar a fazer um novo episódio logo após publicar o anterior, porque temos que esperar as enquetes serem respondidas.

5 – Como é feita a captação e a edição?

A captação é feita usando microfones condensadores, o que é altamente recomendado para quem quer boa fidelidade de áudio. Uso um MXL990 ligado em uma mesa que o alimenta com phantom power. O que vem depois é qualquer interface que faça a conversão de analógico pra digital (mais conhecida como placa de som). Já usamos várias, mas por motivo de um furto, ultimamente estou usando uma pedaleira de guitarra mesmo. Desculpe a sinceridade. Roubaram minha placa de som. O ambiente é um quarto fechado, preferencialmente em um horário de pouco ruído externo. Geralmente gravamos tarde da noite ou nos fins de semana. O tratamento da sala é feito com cortinas, cobertores, para atenuar as reflexões de som das superfícies lisas. O famoso e indesejável excesso de reverb, que comumente chamamos de eco. Mas esse é um detalhe pequeno. Softwares usamos os gratuitos. Reaper para a workstation, e seus plug-ins nativos: equalizadores e moduladores de pitch. O Reaper não é gratuito, mas é possível usá-lo na versão de avaliação com todas as funcionalidades. É bem leve. Com 14 mega você tem tudo que um Protools te dá. Os bancos de efeitos e a maioria das musicas usamos de copyright livre, obtidos em sites como jamendo, freesoundeffect.org. Quem usar, tem que checar os direitos de uso e dar crédito aos autores.

6 – O que está dentro das expectativas e o que surpreendeu vocês?

Eu não esperava que fosse tão divertido gravar os podstorias. Uma surpresa pra mim foi ver tanta gente motivada a fazer o projeto acontecer. Dessa cambada de gente que faz o podstoria acontecer, muitos são amigos de longa data, e que eu não via fazia tempo. O projeto propiciou o reencontro e um contato mais frequente com essas pessoas muito queridas. Os resultados com o público estão dentro das expectativas. Sabemos que fazemos um conteúdo bastante de nicho, e não temos investido dinheiro algum em divulgação além do necessário inicialmente para fazer a coisa andar. Mas ainda assim nos surpreendemos ao acessar as estatísticas e vermos uma quantidade razoável de ouvintes em Portugal, Japão, como também receber feedbacks animados de ouvintes sugerindo e criando parte das histórias junto com a gente. Esses feedbacks animados são a remuneração que temos.

7 – Alguma frustração com os resultados?

Frustrações são diretamente proporcionais às expectativas geradas. Nossa expectativa é, simplesmente nos divertir em primeiro lugar. Em segundo lugar, compartilhar nossa diversão pra quem quiser fazer parte. Alguma frustração acontecerá se o processo de fabricação começar a se tornar chato ou moroso. Mas isso não está acontecendo.

8 – O que podemos esperar para 2016?

A conclusão da primeira história, que nem nome tem ainda (queremos sugestões para o nome dela. O nome será escolhido pelos ouvintes). Mais bagunça com o Projeto Z.U.M.B.A. que todo mundo pode participar pelo nosso Facebook através dos comentários das nossas publicações. Os comentários mais curtidos entram pra história. E talvez uma nova história, mais intimista, com menos personagens, se algum escritor chegar com uma boa ideia para mim, já que não dou conta de escrever tanta coisa sozinho. Faremos o que o tempo permitir que a gente faça!

Tudo isso lá em podstoria.com.br e no facebook.com/podstoria

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