Os bastidores do Podstoria: interação de verdade

Há alguns meses, me deparei com este podcast incrí­vel e fiquei apaixonada pela ideia. Na mesma ocasiío, o meu colega Diogo Braga publicou aqui no Mundo Podcast um especial para falar sobre podcasts Storytelling citando o Podstoria dentre os produtores nacionais que resolveram abraçar o formato.

Entrevistei o Danton Freitas, com exclusividade para o Mundo Podcast. Se você não conhece o Podstoria, esta entrevista vai te deixar com vontade de conhecer e se você já conhece, aproveite para saber como eles fazem tudo funcionar. 😀

1 – Como surgiu a ideia do projeto?

A ideia surgiu quando procurei e não achei podcasts de storyteller realmente interativos. Me vi entre audiolivros ou sessões de RPG gravadas, mas todos tratavam os ouvintes como mero expectadores. Eu queria unir o melhor das duas coisas, e fazer o ouvinte se sentir com poder de comando real em uma história. Um podcast do tipo você decide, mas sem ser sobre historinhas chatas da televisão.

2 – Quanto tempo levou entre a ideia e a implantação?

Mais de um ano. Não queria apenas botar um feed em um agregador qualquer e ver o que acontece. Querí­amos dar uma embalagem bonita para o produto, e isso envolveu a criação do site que comportasse cadastro de ouvintes, lógica para enquetes, como também composição de algumas trilhas sonoras, seleção de ilustrações, movimentar e chamar dubladores, catalogar efeitos sonoros gratuitos, criar redes sociais. E mesmo assim, ainda tem muita coisa pendente, como a parte gráfica do site. Tudo isso sendo feito nas horas vagas, no tempo que sobra entre trabalho, pós-graduações, viagens, etc.

Da esquerda pra direita, Em cima: Marcos Gonçalves, Luiz Mauro, Danilo Cesar, Paula Isabelle, Samuel Rodrigues. Em baixo: Marcelo Marchetti, Danton Freitas e Joío Henrique Belo

Da esquerda pra direita, Em cima: Marcos Gonçalves, Luiz Mauro, Danilo Cesar, Paula Isabelle, Samuel Rodrigues. Em baixo: Marcelo Marchetti, Danton Freitas e Joío Henrique Belo

 

3 – Quem é a equipe que produz?

A equipe sou eu, o Danton Freitas e, conforme última contagem, 14 dubladores. Sou formado em Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações, mas também já fiz cursos de produção musical, bem antes de mexer com podcast. Eu fiz o site, escrevo as histórias, mixo, edito, compus e gravei algumas das trilhas sonoras, além, é claro, de fazer a narração das histórias. O famoso, não tem tu, vai tu mesmo. Além de mim, amigos ajudam na criação de imagens pro site. O restante são os dubladores, todos gravando na amizade. É uma turma bem heterogênea. Tem uns 3 engenheiros, 2 historiadores, veterinária, músicos, psicólogos, advogada, designer… Atores mesmo são poucos, mas alguns já tem experiência em palco e gravações, seja com banda, peça de teatros ou participação em outros podcasts.

Da esquerda pra direita: Marcelo, Danton, Samuel e Paula

Da esquerda pra direita: Marcelo, Danton, Samuel e Paula

4 – Como é o processo de produção?

O processo segue uma certa linearidade simples, mas é longo. Cada episódio costuma demorar 1 mês para ser feito. Em uma semana eu escrevo as cenas. Cada cena gera um roteiro. Na outra semana os dubladores vem até mim e gravam conforme os roteiros que eu entrego a eles. Nas gravações, todos tem liberdade para fugir do roteiro e agregar coisas que acham interessante. Na semana seguinte é a edição, que é um dos processos mais complexos. A edição é feita cena a cena, para depois juntar todas as cenas em um único arquivo de mp3 e publicar. A semana de brinde é a semana para os ouvintes terem tempo de ouvir, votar nas enquetes e agitar o episódio. Não dá começar a fazer um novo episódio logo após publicar o anterior, porque temos que esperar as enquetes serem respondidas.

5 – Como é feita a captação e a edição?

A captação é feita usando microfones condensadores, o que é altamente recomendado para quem quer boa fidelidade de áudio. Uso um MXL990 ligado em uma mesa que o alimenta com phantom power. O que vem depois é qualquer interface que faça a conversão de analógico pra digital (mais conhecida como placa de som). Já usamos várias, mas por motivo de um furto, ultimamente estou usando uma pedaleira de guitarra mesmo. Desculpe a sinceridade. Roubaram minha placa de som. O ambiente é um quarto fechado, preferencialmente em um horário de pouco ruí­do externo. Geralmente gravamos tarde da noite ou nos fins de semana. O tratamento da sala é feito com cortinas, cobertores, para atenuar as reflexões de som das superfí­cies lisas. O famoso e indesejável excesso de reverb, que comumente chamamos de eco. Mas esse é um detalhe pequeno. Softwares usamos os gratuitos. Reaper para a workstation, e seus plug-ins nativos: equalizadores e moduladores de pitch. O Reaper não é gratuito, mas é possí­vel usá-lo na versão de avaliação com todas as funcionalidades. É bem leve. Com 14 mega você tem tudo que um Protools te dá. Os bancos de efeitos e a maioria das musicas usamos de copyright livre, obtidos em sites como jamendo, freesoundeffect.org. Quem usar, tem que checar os direitos de uso e dar crédito aos autores.

6 – O que está dentro das expectativas e o que surpreendeu vocês?

Eu não esperava que fosse tío divertido gravar os podstorias. Uma surpresa pra mim foi ver tanta gente motivada a fazer o projeto acontecer. Dessa cambada de gente que faz o podstoria acontecer, muitos são amigos de longa data, e que eu não via fazia tempo. O projeto propiciou o reencontro e um contato mais frequente com essas pessoas muito queridas. Os resultados com o público estão dentro das expectativas. Sabemos que fazemos um conteúdo bastante de nicho, e não temos investido dinheiro algum em divulgação além do necessário inicialmente para fazer a coisa andar. Mas ainda assim nos surpreendemos ao acessar as estatí­sticas e vermos uma quantidade razoável de ouvintes em Portugal, Japío, como também receber feedbacks animados de ouvintes sugerindo e criando parte das histórias junto com a gente. Esses feedbacks animados são a remuneração que temos.

7 – Alguma frustração com os resultados?

Frustrações são diretamente proporcionais í s expectativas geradas. Nossa expectativa é, simplesmente nos divertir em primeiro lugar. Em segundo lugar, compartilhar nossa diversão pra quem quiser fazer parte. Alguma frustração acontecerá se o processo de fabricação começar a se tornar chato ou moroso. Mas isso não está acontecendo.

8 – O que podemos esperar para 2016?

A conclusão da primeira história, que nem nome tem ainda (queremos sugestões para o nome dela. O nome será escolhido pelos ouvintes). Mais bagunça com o Projeto Z.U.M.B.A. que todo mundo pode participar pelo nosso Facebook através dos comentários das nossas publicações. Os comentários mais curtidos entram pra história. E talvez uma nova história, mais intimista, com menos personagens, se algum escritor chegar com uma boa ideia para mim, já que não dou conta de escrever tanta coisa sozinho. Faremos o que o tempo permitir que a gente faça!

Tudo isso lá em podstoria.com.br e no facebook.com/podstoria

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About the Author
Gestora de Mí­dias Sociais, palestrante e escritora. Co-autora do livro Reflexões sobre Podcast (primeira publicação nacional exclusiva sobre a mí­dia), é uma das acionistas do portal Mundo Podcast e co-host do Faz Bem Podcast.