Heavy Metal Böx #3 Angel of Death

16 Fevereiro 2016 Por Heavy Metal Böx
Heavy Metal Böx #3 Angel of Death

Com Angel of Death, o Slayer toca numa ferida muito delicada da história mundial. Muitos não gostaram disso, já eu os agradeço por isso.

Olá, Headbanger. Falando de Olinda – PE, meu nome é Thiago Miro e este é o Heavy Metal Böx, um podcast que lhe levará para uma jornada ao longo de quase 50 anos de história do Heavy Metal através de seus artistas, músicas e histórias.

Neste episódio falarei de Slayer, falarei de Thrash Metal, mas principalmente falarei de Angel of Death, umas das músicas mais marcantes da história do Heavy Metal.

Por favor, Araya. Grita, meu fi.

ROTEIRO COMPLETO

Awchwitz, o significado da dor
A forma que eu quero que você morra

Meu querido batedor de cabeça, começar a música com essas duas frases fez com que o Slayer ganhasse o mundo, mas para muitos não de uma forma positiva.

O Slayer surgiu na mesma cena musical da Califórnia juntamente com o Metallica, Megadeth e Anthrax. Essas quatro bandas juntas são reconhecidas como as maiores bandas de thrash metal do mundo. Elas, inclusive, fazem aquele festival, The Big 4, que junta as quatro no mesmo dia.

De todas essas bandas o Slayer é a mais pesada, a mais rápida, a mais consistente. Nesses quase 40 anos de carreira, olha isso, 40 anos de carreira, o estilo do Slayer nunca mudou. A cada novo álbum você tem a certeza de que virá uma pancada sem precedentes.

Uma outra característica do Slayer é que ela é a banda mais dark de todas as já citadas. Eles são influências primordiais para o surgimento de gêneros como o Death e Black Metal, inclusive o Black Metal norueguês. Então, meu caro, tudo o que não se deve esperar do Slayer é que eles toquem uma música falando de flores e passarinhos, não é?

Em seu terceiro disco, intitulado Reign in Blood, o Slayer ganhou o mundo, porém muita gente viu um problema nesse disco, mais precisamente na faixa de abertura: Angel of Death, inglês para Anjo da Morte, uma referência ao médico alemão Joseph Mengele, responsável pelo campo de extermínio de Awchwitz, na Polônia.

Mengele, que depois da Segunda Guerra Mundial fugiu para a Argentina e acabou morrendo no Brasil no final da década de 70, praticava experimentos nos prisioneiros usando de violência extrema. Dentre as atrocidades cometidas por ele estão lobotomias, torturas para ver o quanto um humano era capaz de aguentar dor, ele incendiava as pessoas para saber a resistência delas ao calor, ele fazia mudanças de sexo, implantava membros de umas pessoas em outras. Foi ele quem criou as câmaras de gás dos campos nazistas.

Então, pelo que eu disse, podemos imaginar o quão delicado esse assunto é para o povo que sofreu tudo isso. Dizem que por conta do Mengele, 1 milhão e meio de judeus foram mortos.

O Slayer abordou esse tema e, claro, abordou de uma forma agressiva. E a comunidade judia não recebeu isso bem.

O Reign in Blood chegou a ser proibido em Israel. E olhe que a cena metal israelense é muito forte, com bandas como o Orphaned Land, recomendo conhece-la. É uma banda que faz músicas em hebraico.

Segundo Chen Balbus, guitarrista do Orphaned Land, essa banda que eu acabei de mencionar, o Slayer errou feio, errou rude nessa música. Para ele a banda enalteceu, deu poder a figura de Joseph Mengele, fazendo assim uma apologia à ideologia nazista.

Mas será que ele tinha razão?

Na minha opinião sobre isso? Óbvio que não, não houve apologia.

A música foi escrita pelo Jeff Hanneman, o pai dele lutou na Normandia, ele estava lá no dia D. Jamais me entraria na cabeça que o Jeff seria partidário do nazismo e escrever qualquer coisa que fizesse apologia àquela ideologia.

Mas essa proibição durou pouco tempo. A justiça israelense liberou a venda do disco sob a alegação de que lembrar o passado é a melhor forma de não cometê-lo novamente. E como muitos jovens queriam ouvir o que o Slayer tinha a dizer, que o passado seja ensinado através do Heavy Metal.

Palmas para a justiça de Israel.

Por pior que tenha sido o passado, é importante sempre trazê-lo de volta à tona para evitar que se repita. E o Slayer foi magistral nessa missão. Obrigado, Slayer.

E assim eu me despeço desse episódio curtinho… você gostou? Pow, então assina aí para receber os novos episódios assim que eles forem publicados. Se quiser sugerir algo ou criticar deixe algo nos comentários ou envie e-mail para contato@heavymetalbox.com.br.

Obrigado por ouvir, até o próximo.