Po(D)ema #100 – O Maior Revolucionário de todos os tempos

13 novembro 2014 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #100 – O Maior Revolucionário de todos os tempos
  • Texto: O Maior Revolucionário de todos os tempos
  • Autor: Igor Guedes
  • Interpretação: Igor Guedes (@professorigor) e Victor Snaga (@OrcSnaga)
  • Música: No Cures, Ybara The Strange e Home Again: Trilhas de Arquivo X
  • Duração: 8min09s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Igor Guedes - O Maior Revolucionário de todos os tempos

O Maior Revolucionário de todos os tempos

“As revoluções são a locomotiva da história.” – escreveu O filósofo, economista, e cientista social Karl Marx no século XIX. Partindo dessa premissa nos perguntamos, qual foi o maior revolucionário da História da Humanidade? Quais os seus conceitos sobre revolução?  Que paradigmas foram quebrados e quais foram reconstruídos para mudar o rumo da história humana?

Herdeiro da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte afirmou que “Uma revolução é uma opinião apoiada por baionetas.”  Iniciada em  1789,  o movimento transformou-se em uma enorme campanha militar que varreu toda a Europa. Até a derrota final de Napoleão em 1815. Ao todo durou 26 anos.

À frente do Comitê Central e secretário geral do partido comunista da União Soviética, Josef Stálin afirmou: “Você não consegue fazer uma revolução com luvas de seda.” A União das Republicas socialistas Soviéticas existiu por 74 anos e hoje o comunismo agoniza em pequenos rincões ditatoriais.

Essas duas revoluções, reconhecidas como as maiores da história humana, basearam-se na violência para expandir e impor seus princípios. A Revolução Russa, talvez a maior de todas, não durou sequer um século.

Tais acontecimentos levaram  o escritor tcheco Franz Kafka a escrever: “Todas as revoluções se evaporam e deixam atrás de si apenas o limo de uma nova burocracia.”

Qual então seria a maior revolução? Quais os métodos para implanta-las? O escritor português José Saramago nos dá uma pista:

“A única revolução realmente digna de tal nome seria a revolução da paz, aquela que transformaria o homem treinado para a guerra em homem educado para a paz porque pela paz haveria sido educado. Essa, sim, seria a grande revolução mental, e portanto cultural, da Humanidade. Esse seria, finalmente, o tão falado homem novo.

Existiu alguém capaz de levar a cabo tal tipo de revolução?

Há 2000 anos atrás, no século I, uma região periférica e relativamente pobre estava submetida ao julgo do Império Romano. Nela, milhares de Judeus esperavam um messias, um grande líder que iria finalmente livrá-los do despótico domínio de Roma. Contra as centúrias romanas esperavam que um grande líder aliado ao poder de Deus pudesse trazer-lhes a redenção.

Eis que esse líder era um artesão pobre. Lucas e Mateus, narram seu nascimento na cidade de Belém, vinculada à memória de Davi, com a intenção de atribuir a Jesus uma origem davídica. Nos evangelhos de Marcos e de João não há referências a este nascimento. Lucas destaca as condições de despojamento e pobreza. Enquanto Mateus narra a visita dos magos do oriente trazendo ricos presentes, Lucas narra a visita dos humildes pastores em vigília dos rebanhos de seus patrões. Lucas foi o evangelista dos pobres amados por Deus. Em um mundo marcado pelas injustiças dos poderosos, o povo oprimido vislumbra a libertação e a vida plena.

Misteriosamente, boa parte de sua vida o revolucionário permaneceu calado. Nenhum registro histórico, canônico ou não, nos conta sobre sua juventude e ingresso na fase adulta. Sabemos que ele aprendeu o ofício de carpinteiro, possivelmente de pedreiro também e falava o aramaico.

Ainda no século I o historiador judeu Flávio Josefo, escreveu:

“Nesse mesmo tempo, apareceu Jesus, um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos e foi seguido por muitos judeus e também por muitos gentios. Ele era o Cristo. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, herdaram seu nome.” — História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, 772.

Seu ato mais enérgico foi, provavelmente, aquele que o condenou à morte. A Maioria de seus biógrafos concordam que foi a purificação do Templo, quando Jesus confrontou-se com vendedores , cambistas  e a própria aristocracia judaica que ele selou seu destino.

Provavelmente pouco antes da páscoa do ano 30 a jornada do sábio profeta e revolucionário nazareno chegou ao fim. Cristo morreu de forma humilhante, a crucificação, reservada aos ladrões, assassinos e escravos fugidos.  Seus seguidores mais íntimos debandaram após sua prisão e apenas Maria Madalena, Maria sua mãe e Tiago acompanharam –no até o fim.

Sua morte não deixou uma única nota de rodapé na história de Roma, seus seguidores encontravam-se dispersos e desamparados.  Poderíamos dizer que sua revolução baseada na misericórdia e no amor divinos fracassaram.  E é nesse ponto que historiadores que não tem nenhuma fé não percebem o milagre pois essa conjectura não pode ser percebido pelo estreitismo acadêmico.

Sua maior mensagem baseou-se em algo simples: amor.  Diferente de outros revolucionários, Cristo jamais pregou a violência e repreendeu Pedro quando sacou a espada e feriu o soldado que viria prende-lo.

Tenho certeza que os apóstolos, em um momento de imenso desamparo, perguntavam-se por que o filho de Deus não utilizou seus poderes para subjugar o Império Romano? E é neste ponto que a verdadeira revolução inicia-se. O que para os céticos representou uma morte humilhante, para aqueles que creem esta foi uma etapa indispensável para o inicio da verdadeira revolução.

Apesar de parecer fadado ao fracasso os poucos, dispersos e desamparados seguidores de Cristo, insuflados por uma força incomum divulgaram a palavra de Deus por todo o mundo mediterrânico. Mesmo perseguidos, caçados, humilhados e mortos a palavra do perdão e o amor triunfavam.

Até que no século IV, sem nenhuma razão aparente, o próprio imperador romano converte-se ao cristianismo tornando-a a religião oficial do Império.  E o maior triunfo, a cruz, símbolo de tortura e morte tornou-se em um símbolo de amor e redenção.

Atualmente quase 1 terço da população mundial é cristã, a bíblia é o livro mais vendido do mundo e os ensinamentos de Cristo são debatidos entre Hindus, Budistas, islâmicos e intelectuais de todo o mundo.

Dedico esse texto a mulher me ensinou a simplicidade de enxergar o milagre onde ele existe. Onde antes eu via uma incógnita, agora eu vejo um milagre. Obrigado Laura Vaiguine.