Po(D)ema #105 - Pobres Imbecis - Mundo Podcast 

Po(D)ema #105 – Pobres Imbecis

19 janeiro 2015 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #105 – Pobres Imbecis
  • Texto: Pobres Imbecis
  • Autor: Isaac Asimov
  • Interpretaçío: Victor Snaga (@OrcSnaga) e Igor Guedes (@professorigor)
  • Música: Trilha do filme Blade Runner
  • Duraçío: 3min30s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Isaac Asimov - Pobres Imbecis

Isaac Asimov

Pobres Imbecis

Naron, da longeva raça rigelliana, era o quarto de sua linhagem que garantia os recordes galáticos.

Segurava o grande livro que continha a lista das numerosas corridas através das galáxias, as quais haviam desenvolvido a inteligência e o livro, muito menor, que arrolava as raças que haviam atingido a maturidade e se classificado para a Federaçío Galáctica. No primeiro livro, muitos dos que estavam na lista foram excluí­dos; os que, por uma razío ou outra, haviam falhado, Desgraças, deficiências biofí­sicas ou bioquí­micas, desajustamentos sociais que deram cabo deles. No livro menor, contudo, nenhum dos membros incluí­dos havia sido riscado.

Entío Naron, corpulento e incrivelmente velho, ergueu os olhos quando um mensageiro se aproximou:

– Naron – disse o mensageiro – O Grande!
– Bem, bem, de que se trata? Menos cerimônias.
– Outro grupo de organismos chegou í  maturidade,
– Excelente, excelente. Agora, estío aparecendo rapidamente. Mal passa um ano, sem que apareça um. E quem sío?

O mensageiro deu o número de código da galáxia e as coordenadas do mundo que ela comportava.

– Ah, sim – disse Naron, – Conheço este mundo – e em escrita fluente, anotou-o no primeiro livro e transferiu seu nome para o segundo, usando, como de hábito, o nome pelo qual o planeta era conhecido pela maior parte de sua populaçío. Escreveu: Terra.

Disse:

– Estas novas criaturas estabeleceram um recorde. Nenhum outro grupo tem passado da inteligência para a maturidade tío rapidamente. Espero que nío haja erro,
– Nío, senhor – disse o mensageiro.
– Conseguiram a energia termonuclear, nío é?
– Sim, senhor.
– Bem, este é o critério – Naron deu uma risadinha. – Em breve as espaçonaves deles sairío para sondagens e entrarío em contato com a Federaçío,
– Em verdade, Grande – disse o mensageiro com relutncia – os Observadores dizem-nos que ainda nío penetraram no espaço.

Naron pareceu perplexo:

– Nada? Nem mesmo uma estaçío espacial?
– Ainda nío, senhor.
– Mas se possuem energia termonuclear, onde realizam seus testes e detonações?
– No próprio planeta deles, senhor.

Naron ergueu-se em toda a sua estatura de seis metros e sessenta centí­metros e trovejou:

– No seu próprio planeta?
– Exatamente, senhor.

Naron puxou lentamente da pena e traçou uma linha sobre toda a extensío da mais recente adiçío inserida no livro menor. Era um ato sem precedentes, mas, pudera, Naron era muito prudente e podia perceber o inevitável tío bem como qualquer outro na galáxia.

– “Pobres imbecis!” – murmurou.