Po(D)ema #112 - Meu violío e você - Mundo Podcast 

Po(D)ema #112 – Meu violío e você

20 abril 2015 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #112 – Meu violío e você
  • Música: Temporal – Fernando Deghi
  • Duraçío: 2min29s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Jorger Drextler - Meu violío e vocíŠ

Meu violío e você

Viva í  ciência
Viva í  poesia
Viva quando sinto minha lí­ngua
Quando sua lí­ngua está sobre a minha

A água está no barro
O barro está no tijolo
O tijolo está na parede
E na parede, sua fotografia

É verdade que nío há arte sem emoçío
E nío há precisío sem arte
Como, tampouco nío há violões sem tecnologia
Tecnologia do nylon para as cordas
Tecnologia do metal para o cabeçote
A prensa, a goiva, o verniz
As ferramentas de um carpinteiro.

O compositor e seu computador
O pastor e sua navalha
O despertador que já está anunciando a aurora
E o telescópio que se demora na última estrela

A máquina faz o homem
E ela é o que o homem faz com ela

O arado, a roda, o moinho
A mesa em que ponho o copo de vinho
As curvas da montanha-russa
A semicolcheia e até mesmo a semifusa

O chá, as calculadoras e os espelhos
A casinha do cachorro, a manteiga
A erva, o mate e a bomba.

Está comigo
Estamos cantando na sobra de nossa videira
Uma cançío que diz que só se conserva aquilo que nío se amarra
E sem te ter, eu tenho você e o meu violío

Há tantas coisas
E eu só preciso de duas, meu violío e você
Meu violío e você

Há cinemas
Há trens
Há panelas
Há fórmulas até para descrever a espiral de um caracol
Há mais: há tráfego
Créditos
Cláusulas
Salas Vip
Há cápsulas hipnóticas e tomografias computadorizadas
Existem condições para a construçío de uma sociedade anônima
Há garrafas e obuses
Há tabus
Há beijos
Há fome e há o sobrepeso
Há soní­feros e chás de ervas
Há drogas sintéticas e cachorros viciados em drogas nas alfndegas

Há míos capazes de fabricar ferramentas
Com as quais se fazem máquinas para fazer computadores
Que, por sua vez, projetam máquinas que fazem ferramentas
Para que se usem nas míos

Há infinitas palavras escritas
Zen, gol, bang, rap, Deus, fim.

Há tantas coisas
Eu só preciso de duas
Meu violío e você
Meu violío e você