Po(D)ema #88 – A Mulher de Rocha

8 agosto 2014 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #88 – A Mulher de Rocha
  • Texto: A Mulher de Rocha
  • Autor: Erika Figueira
  • Interpretação: Erika Figueira (@erikapes)
  • Música: Get him talking – Trilha do filme Distrito 9
  • Duração: 3min21s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Erika Figueira - A Mulher de Rocha

Este Po(D)ema faz parte de uma série. Parte 3/24.

A Mulher de Rocha

Eu sou sorumbática, taciturna, às vezes infeliz e perturbada… não valorizo as pessoas que sorriem com facilidade (não sou hiena), nem sempre sou solar, eu não conseguiria viver sem momentos de escuridão, de silêncio e de cortinas fechadas.

Odeio quando alguém entra no meu quarto e reclamando de minhas cortinas fechadas olha pra mim com um olhar benevolente passando a mensagem: vou trazer a luz pra sua vida.

A pior coisa que um amigo pode me fazer, é classificar o meu jeito anti social, como resultado de uma pretensa falta de amor. Eu amo, eu amo intensamente, sempre.

E tenho a certeza, de que aqueles que lançam os seus positivismos, julgando que tudo vai melhorar quando eu “aprender a amar” como deveria já saber, não fazem a menor ideia até que ponto o amor pode levar o ser humano à mais profunda escuridão.

Ele, o amor, não se encontra na luz, na superfície, na calmaria, no raso ou no seguro. O amor ferve é no desespero dos homens que estão bem distantes da unanimidade.

Sinto muito pelos bonzinhos, pelos preocupados com suas imagens, pelos que acreditam no retorno de suas boas ações, o mundo se tornou um imenso concurso de miss, onde todos querem ser belos mostrando os dentes torcendo pela paz mundial. Não acho a paz um benefício, ela é o elemento mais estagnante que um indivíduo ou uma sociedae pode possuir.

Imbecilmente, acreditam que além da paz só existe o seu oposto: a destruição, o ódio, o desamor… Existe um caminho oculto entre as pontas dessa corda bamba e foi conveniente ilustrar que nossas únicas opções são o céu e o inferno.

Há amor nesse simbólico inferno, há o mais profundo desrespeito ao ser humano nesse conto da carochinha que é o céu e sua imagem do bem.

Nosso verdadeiro preconceito, é a crença nas oposições e nas opiniões sedimentadas, nosso verdadeiro preconceito está muito mais na visão de um mundo perfeito do que na imaginação de pesadelos e tragédias, essas sim, ilustram o caos que o acaso do pensamento que se abateu sobre nós: animais amaldiçoados.

É assim que eu me sinto, literalmente, dispensando figuras de linguagem: sou um animal amaldiçoado.

Se existe nesse universo, alguma força que planeja todos os elementos, imploro: A sabedoria está nos elementos que dispensam reflexão, quero ser abençoada renascendo como uma camada profunda de uma rocha jamais pisada por qualquer ser humano

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