Po(D)ema #23 - Puta Desgraça da Silva | Mundo Podcast 

Po(D)ema #23 – Puta Desgraça da Silva

28 janeiro 2013 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #23 – Puta Desgraça da Silva
  • Texto: Puta Desgraça da Silva
  • Autor: Erika Figueira
  • Interpretaçío: Erika Figueira (@erikapes) – Sexo e Tintas
  • Músicas:
    • Cleaning Apartment – Clint Mansell
    • Chevarlies de Sangreal – Trilha do filme O Código da Vinci
  • Duraçío: 3min42s
  • Feed do Po(D)ema: http://mundopodcast.com.br/podema/feed/

Puta Desgraça da Silva - Erika Pessanha

Puta Desgraça da Silva

Obrigada -œPuta Desgraça da Silva-! Quando você chegou eu te amaldiçoei sua infeliz! Fazer o que? Madrastas carregam essa fama-¦

Quando esta Puta, filha da puta me tirou das míos do meu pai, o -œDestino-, eu fiquei muito revoltada! Estava eu tranquila nos trilhos do meu caminho, e essa maldita me quebrou um trilho e me tirou do vagío! Que vadia-¦

Essa cretina me arrancou do trem e me jogou na estrada sósinha! Que porra de amiga é essa? Eu fui me distanciando, distanciaaaando do meu pai Destino, e de longe eu avistei! O que? Todos os meus sonhos partindo-¦ Cada vez mais distantes.

A vagaba me socou na estrada, sem dó nem piedade, por quantos e quantos sonhos eu vislumbrei o que era pra ser meu-¦ Sem poder fazer nada. Eu acordava chorando, vendo tudo que é meu desmanchando, desmanchando.

Entío ela me colocou uma coleira, e disse: Eu que vou te adestrar!! Apenas fique calada e sinta o meu chicote em suas costas-¦ E eu senti, como eu senti-¦ Cheguei ao ponto de ser escrava mesmo no momento em que ela soltava minhas amarras-¦ A desgraça sabe o que faz!! E ela nío vai te largar, você tem que estraçalhar, esquartejar essa bandida, eu fiz isso e comecei a voltar.

Com muito suor, e sem entender se estava na direçío correta ou nío, pois algumas vezes nesse retorno eu peguei atalhos errados, eu voltei para a estaçío.

Eu voltei-¦ E enxerguei passageiros doentes, motoristas cegos, cobradores cruéis. Reencontrei meus antigos colegas, e eles que seguiram pelo seu trilho, ali estavam passivos sofredores que se julgam contentes, ignorantes que se julgavam inteligentes, e ali estava eu, de pé na estaçío no meio de tantos irmíos deitados.

Eu amaldiçoei essa piranha por ter me tirado de algumas cadeiras de escolas, amaldiçoei tanto que fiz da vida, a minha sala de aula, e quis pra mim mesma, tirar as melhores notas, as que ninguém veria.

Entío eu lembrei da Desgraça, me ajoelhei perante esta puta santa, e pedi obrigado-¦ Nío foi ela quem me tomou, ela me salvou, me mostrou que todos os homens seguem pelo caminho errado.