PoDema 32 - Abraço de perdío | Mundo Podcast 

Po(D)ema #32 – Abraço de perdío

21 fevereiro 2013 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #32 – Abraço de perdío
  • Texto: Abraço de perdío
  • Autor: Erika Figueira
  • Interpretaçío: Erika Figueira (@erikapes) – Sexo e Tintas
  • Música: Tí­tulo e autor desconhecidos
  • Duraçío: 3min08s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Abraço de perdío - Erika Pessanha

Abraço de perdío

Afrouxa… afrouxa a corda e solta essa chibata por favor… as palavras que formam o relevo desse couro surrado, já estío na minha alma… nío existe mais tronco, pelourinho, qualquer espaço fí­sico, religiío ou liçío moral… que me force tanto a ficar curvada… por tanto… pausa Vida Capití do Mato…

Você nío está vendo que quanto mais meu corpo cai, minha alma levanta? Portanto, se sua intençío é me deixar no chío… aqui estou eu agora lambendo os vermes das dores alheias, sim… eles vío encrustar suas ventosas de lamentos, nas minhas entranhas… e certamente vío crescer dentro de mim…

… Mas os monstros que eu engulo, agem apenas com a minha soberania… de mais ninguém… e eu vou fazer com eles, o que sempre fiz a todos: vou alimentar ele em meu ventre como a todos que eu alimentei, se essa praga for mais um que se virar contra mim ao nío entender o que é o amor, eu vou beijar como beijei meus filhos, vou antecipar pra essa cria monstruosa das minhas dores, o sorriso que eu guardo pra eles… talvez eu trepe com esse monstro escrevendo, com a intensidade que guardei pros homens que esperei amar… nío adianta madrasta Vida, eu só mudo se for pra crescer…

Espreme… vai sua Vida, mulher infeliz, continua espremendo que eu vou deixar esporrar na sua face ejaculações de versos sempre brancos… eu já acreditei um dia que a pior dor era a do parto… nío é…

Bandida… cachorra… miserável… sádica… Vida Puta! As gotas de sangue que a sua pressío expulsa de mim, sío seiva guardada, eu cultivo com ela cravos e versos, a parte dessa cria feita de mágoas e dores que você tenta insistentemente me fazer esguichar, nío vío estar por perto nem quando você se for, prometo pra minha amiga Morte: Só haverá carinhos pra te acalentar, no meu funeral…