Po(D)ema #34 - Procissío Interior | Mundo Podcast 

Po(D)ema #34 – Procissío Interior

25 fevereiro 2013 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #34 – Procissío Interior
  • Texto: Procissío Interior
  • Autor: Erika Figueira
  • Interpretaçío: Erika Figueira (@erikapes) – Sexo e Tintas
  • Música: Calix Bento – Uakiti
  • Duraçío: 4min05s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Procissío Interior - Erika Pessanha

Procissío Interior

Sigo na procissío, e nessas ruas estreitas estreladas, de paralelepí­pedos milenares, sigo descalça, vestida de branco e rendas. Carrego uma pequena caixa com meus pecados, trancada, para que nem eu possa vê-los.

Para homens e mulheres, o melhor do mundo, é o fato de que nessa caminhada, somos apenas ignorantes, crianças caminhantes , anjinhos perversos seguindo errantes, na única direçío que os anjos mais velhos puderam nos ensinar.

Que a natureza preserve os nossos joelhos, ou que surjam novos parceiros, que nos ajudem a de pé caminhar. Nesse caminho louvamos nossos altares, nomeamos nossa solidío perdida, damos a ela forma, a vestimos roupas e a carregamos nas costas, louvamos, apenas para conseguir continuar. Os bichos nos seguem, sem desespero, por terem recebido, do provável dono dessa procissío, a dádiva da ignorncia-¦ao invés do infortúnio da razío.

Sim, devemos ser realmente pecadores, o nosso castigo é pensar-¦se fôssemos ainda animais, tudo que hoje se encontra nessa caixa pesada, nessa longa caminhada, estaria em outra procissío: Liberto ao vento, no caminho dos rios seguindo os peixes, embrenhado no cio dos lobos mata adentro, no amor contido em cada elemento.

Quem nos dera, durante essa procissío, resolvêssemos voltar atrás, por algum motivo da natureza, parássemos estupefatos, olhando uns aos outros de fato, e corrêssemos para o iní­cio de tudo, despindo idéias, arrancando as roupas, adornos sociais, penduricalhos matrimonias-¦ Beatas repetidas, velhos desanimados, meninos desamparados, caucasianas e mulatas, guerreiros e malandros, mendigos e magnatas-¦ quebrando caixas, libertando almas, inspirando e expirando imagens-¦apenas viver já é caminhar, nossos caminhos nío sío ruas, encontram-se embaralhados na Terra, no céu e no mar. Esse, é nosso altar.

E finalmente percebendo, que tudo, tudo é sagrado! Cada pecado por nós mesmos condenado-¦e assim sendo , nesse momento, retrocedêssemos nossas orações, aos idiomas, a antes das palavras e palavrões, aos grunhidos, que seja em gemidos, dirigidos assim á perfeita impossibilidade, e ao verdadeiro sentido de rezar.