Po(D)ema #65 - O Grande Ditador - Mundo Podcast 

Po(D)ema #65 – O Grande Ditador

20 setembro 2013 Por Mundo Podcast
Po(D)ema #65 – O Grande Ditador
  • Texto: O Grande Ditador
  • Autor: Charlie Chaplin
  • Interpretaçío: Victor Snaga (@OrcSnaga)
  • Música: Time – Hanz Zimmer
  • Duraçío: 5min35s

Arte da vitrine: Rodrigo Sena

Charlie Chaplin - O Grande Ditador

O Grande Ditador

Desculpem-me, mas eu nío quero ser um Imperador, esse nío é o meu objectivo. Eu nío pretendo governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar a todos, se possí­vel, judeus, gentios, negros, brancos. Todos nós queremos ajudar-nos uns aos outros, os seres humanos sío assim. Todos nós queremos viver pela felicidade dos outros, nío pela miséria alheia. Nío queremos odiar e desprezar o outro. Neste mundo há espaço para todos e a terra é rica e pode prover para todos.

O nosso modo de vida pode ser livre e belo. Mas nós estamos perdidos no caminho.

A ganncia envenenou a alma dos homens, e barricou o mundo com ódio; ela colocou-nos no caminho da miséria e do derramamento de sangue.

Nós desenvolvemos a velocidade, mas sentimo-nos enclausurados:
As máquinas que produzem abundncia têm-nos deixado na penúria.
O aumento dos nossos conhecimentos tornou-nos cépticos; a nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco:
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade;
Mais do que inteligência, precisamos de afeiçío e doçura.

Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

O aviío e o rádio aproximaram-nos. A própria natureza destas invenções clama pela bondade do homem, um apelo í  fraternidade universal, í  uniío de todos nós. Mesmo agora a minha voz chega a milhões em todo o mundo, milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças, ví­timas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Para aqueles que me podem ouvir eu digo: “Nío se desesperem”.

A desgraça que está agora sobre nós nío é senío a passagem da ganncia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano: o ódio dos homens passará e os ditadores morrem e o poder que tiraram ao povo, irá retornar ao povo e enquanto os homens morrem [agora] a liberdade nunca perecerá-¦

Soldados: nío se entreguem aos brutos, homens que vos desprezam e vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, vos dizem o que fazer, o que pensar e o que sentir, que vos corroem, digerem, tratam como gado, como carne para canhío.

Nío se entreguem a esses homens artificiais, homens-máquina, com mentes e corações mecanizados. Vocês nío sío máquinas. Vocês nío sío gado. Vocês sío Homens. Vocês têm o amor da humanidade nos vossos corações. Vocês nío odeiam, apenas odeia quem nío é amado. Apenas os nío amados e nío naturais. Soldados: nío lutem pela escravidío, lutem pela liberdade.

No décimo sétimo capí­tulo de Sío Lucas está escrito:
“O reino de Deus está dentro do homem”
Nío um homem, nem um grupo de homens, mas em todos os homens; em você, o povo.

Vós, o povo tem o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vós, o povo tem o poder de tornar a vida livre e bela, para fazer desta vida uma aventura maravilhosa. Entío, em nome da democracia, vamos usar esse poder, vamos todos unir-nos. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que vai dar aos homens a oportunidade de trabalhar, que lhe dará o futuro, longevidade e segurança. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder, mas eles mentem. Eles nío cumprem as suas promessas, eles nunca o farío. Os ditadores libertam-se, porém escravizam o povo. Agora vamos lutar para cumprir essa promessa. Lutemos agora para libertar o mundo, para acabar com as barreiras nacionais, dar fim í  ganncia, ao ódio e í  intolerncia. Lutemos por um mundo de razío, um mundo onde a ciência e o progresso conduzam í  felicidade de todos os homens.

Soldados! Em nome da democracia, vamos todos unir-nos!

Olha para cima! Olha para cima! As nuvens estío a dissipar-se, o sol está a romper. Estamos a sair das trevas para a luz. Estamos a entrar num novo mundo. Um novo tipo de mundo onde os homens vío subir acima do seu ódio e da sua brutalidade.
A alma do homem ganhou asas e, finalmente, ele está a começar a voar. Ele está a voar para o arco-í­ris, para a luz da esperança, para o futuro, esse futuro glorioso que te pertence, que me pertence, que pertence a todos nós.
Olha para cima!
Olha para cima!